Todo tradutor é um traidor?

Traduzir não é uma tarefa fácil, envolve muito mais do que simplesmente transferir palavras de um idioma para o outro. Tradução requer vasta pesquisa e entendimento profundo do idioma original e do idioma alvo, amplo conhecimento cultural e, especificamente, sobre o assunto que está sendo traduzido.

Fazer a versão em inglês de um texto sobre a cidade do Rio de Janeiro deveria ser a tarefa mais fácil do mundo, não é mesmo? Errado! Algumas palavras no português brasileiro simplesmente não têm correspondência direta no inglês. Como traduzir "malemolência"? Como passar essa palavra para outra correspondente no inglês que transmita ao leitor a mesma intenção e o mesmo significado que conhecemos no português? Algumas palavras e frases do idioma original estão tão presas ao contexto cultural que é praticamente impossível encontrar um termo equivalente que também tenha o mesmo significado no idioma alvo.

O que nós, tradutores, podemos fazer diante desse tipo de desafio? Traduzir literalmente correndo o risco de produzir um texto "sem sentido" para quem lê? Ou é melhor encontrar a alternativa mais próxima que faça sentido no idioma-alvo, mesmo que isso modifique um pouco a ideia original? Para algumas pessoas isso é uma "traição" ao texto original, porém é preciso ter em mente que o objetivo de toda tradução é comunicar uma ideia de maneira eficaz ao público-alvo, portanto não faz sentido traduzir literalmente, mas não entregar a mensagem a que o texto se propõe.

O ideal é chegar a um meio-termo entre a domesticação e a estrangeirização, pois cada técnica tem o seu valor se aplicada de maneira adequada. O principal é sempre manter o foco no leitor, fazendo com que a mensagem do texto seja passada para ele de maneira clara e precisa.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Traduzindo Obama

Mexendo com números